Palavras
Sinto que preciso colocar isso em palavras, não sei o porque, palavras. Eu que sempre falei muitas delas mas nunca fui bom com elas. Acho que palavras me lembram você.
Foto de Danielle Suijkerbuijk na Unsplash
Por que palavras? Números seriam melhores, eu certamente acho isso, ou pelo menos já achei, e sei que você os entende melhor do que entende palavras. Parece que não existe uma formula, uma lei ou regra geral para esse caso, nem mesmo por aproximação ou para um caso em especifico. É um sistema caótico, as variáveis são todas caóticas, não há uma constante sequer e tampouco os coeficientes me ajudam. Resta-me palavras.
Acho que você não irá ler isso - e parte de mim espera confiantemente nisso - mas algo leva-me a escrever tais palavras. Palavras cheias de mim mesmo, cada uma delas carrega parte do meu orgulho consigo, talvez por isso não quero que tu leias, não quero que vejas meu orgulho quebrado e esmagado - e como o trigo - transformado em coisa nova - em palavras. Palavras me lembram você.
Por que essas palavras insistem em sair? Uma por uma, sentença por sentença, oração por oração, maldito texto que eu amo e odeio, mas amo tanto que apaga o ódio. Palavras me lembram você. Culpa? Catarse? Exorcismo? Tudo parece-me mais complexo que a raiz quadrada de um negativo, não sou afeito as coisas imaginarias, mas não tenho conseguido representar tudo racionalmente, talvez eu não esteja inteiro, talvez tudo isso seja natural.
Palavras, só palavras, falar? Até papagaio fala. Fazer um texto? Em tempos de IA generativa não faz sentido. Palavras (bem|mal)ditas palavras. Palavras me lembram você.
Sempre gostei de falar e sempre falei muito, também sempre gostei de escrever e recentemente tenho lido bastante, bom concluo: Eu amo palavras.

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