Postagens

Rumo à loucura

Imagem
  Em seu livro Ortodoxia, Chesterton faz várias analogias para exemplificar seus argumentos. Em um deles, o autor conta acerca de um comandante que sai de sua terra natal em um navio, desbravando as águas do imenso oceano em busca do desconhecido. Quando ele chega novamente em terra firme, o comandante acredita ter chegado em um lugar novo e sai maravilhado para explorá-lo, apenas para se encantar com tudo que vê e logo depois se dar conta de que aquela não era uma nova pátria, mas sim sua própria terra natal; a qual ele nunca tinha de fato prestado atenção em suas maravilhas. Mas aonde pretendo chegar com isso? Bom, hoje em dia as pessoas se parecem muito com esse comandante, dispostos a se aventurar no desconhecido, sem ao menos contemplar as belezas e maravilhas daquilo que já está tão próximo delas. Há muitos comandantes - soberbos e arrogantes - que decidem partir em aventura semelhante porquê julgam que sua pátria é monótona e ultrapassada, cheia de pessoas inferiores que não...

Uma peça errada

Eu simplesmente amo jogar tetris, caso você não saiba o que é tetris, tetris é um jogo eletrônico cuja a jogabilidade é definidas por peças diferentes todas compostas por quatro quadradinhos as quais uma de cada vez caem do topo de sua tela e devem ser encaixadas a fim de completar linhas, completando uma linha ela some e abre espaço para encaixar novas peças, se você encher a tela de peças de modo a não caber mais nenhuma, você perde, para dificultar as peças começam a cair cada vez mais rápido com o passar do tempo. A graça do jogo está em se desafiar a conseguir pontuações cada vez mais elevadas resistindo mais tempo sem deixar a tela encher. Nos últimos anos da faculdade eu passava minutos a fio jogando tetris entre um compromisso e outro e não raramente alguém tentava, em vão, ganhar de mim no modo versus onde perde quem deixar a tela encher primeiro. Tetris é um jogo extremamente viciante, reza a lenda que quando foi lançado e era distribuído de micro para micro bem no boca a boc...

Da (Van)Grloria

 Eu tinha um amigo - e ainda teria se as coisas não fossem como são - um sujeito um tanto quanto inteligente, mas não brilhante, porém minimamente esforçado. O dito cujo esforçava-se para estar acima da media, nas mais diversas esferas, principalmente naquelas cujos acidentes fossem mais facilmente perceptíveis, em adição a isso esforçava-se ainda mais para que tais qualidades, não o esforço para alcança-las, fosse então percebidas. Nesse esforço de outdoor-ar-se  ele ganhou um apelido carinhoso, uma referencia a um nome de um "gênio" dos dias atuais, obteve certo reconhecimento e as vezes até o colocavam em um pedestal. Ele alçava cargos de liderança e até hoje ele ganha reconhecimentos pela propaganda que faz de sí. Fato é que eu conheci pessoas muito mais inteligentes, brilhantes e/ou esforçadas que ele, mas nenhuma dessas alcançou tanta pompa quanto nosso amigo apelidado com nome de dono de big-tech. Na verdade alguns não receberam nenhum reconhecimento por sua grandeza e...

Fim da crise vocacional? Uma abordagem pragmática

 Muitos católicos, em especial os mais jovens reclamam (ou proclamam) estar em crise vocacional, embora eu de fato nunca tenha entrado em uma crise profunda acerca de minha vocação varias vezes me peguei refletindo sobre o assunto. As minhas ideias fermentam-se por muito tempo, mesmo após uma tomada de decisão, dessa forma pude observar algumas das minhas inseguranças e traçar pontos que podem me levar a cada vocação. Para melhor compreender essas inquietações e por fim destilar esse mosto elaborei algumas perguntas, para que eu mesmo as externasse como quem tira um fermentado de cana dos barris para destilar cachaça. No processo de responder honestamente tais perguntas outras surgiram como preambulo ou complemento das perguntas anteriores. Não por possuir algum conhecimento especial ou por revelação divina, mas pela mera confiança na maiêutica  (ou método socrático), acredito que essas perguntas possam também mostrar a outros o que lhes falta para definição vocacional, ou...

Domingo: a reunião semanal dos fascistas

Um belo dia estava eu na rede mundial de intrigas - conhecida como internet - quando me deparei com uma reportagem discutindo uma problemática envolvendo uma cantora chamada Gwen Stefani e o aplicativo católico de orações chamado Hallow. O detalhe é que problemática estava só na cabeça de quem fez a reportagem e daqueles que veem política em tudo.   Não satisfeito, pesquisei o assunto no Youtube - o site oficial de intrigas em formato de vídeo - para ver se alguém estava comentando sobre isso e simplesmente me deparei com um vídeo de um americano chamando a contora de fascista. Sim, ela é uma fascista maldita porquê usa um aplicativo católico para rezar. Sempre me impressiono com a capacidade que as pessoas tem de relativizar as palavras e usá-las da forma mais besta possível.   Pelo simples fato de políticos americanos taxados de extrema-direita recomendarem o aplicativo para seu público faz com que automaticamente todos aqueles que usam o mesmo aplicativo também sejam cham...

Tudo como uma grande estoria

Imagem
 Hoje percebi uma coisa sobre mim, não ha nada que eu não transforme em uma estoria, um causo, eu não comprei um guarda-roupas de um colega de trabalho, "Eu tenho um colega de trabalho que casô  e tá reformando a mobilha", eu não comprei uma geladeira do novo usado, "é que quando o pai mais a mãe casou eles tinham uma geladeira igual essa..", eu também não vi o Juliano Cazarré, "Eu fui ajudar na paroquia...". Isso não se limita as novas do dia a dia, mas se estende ao meu jeito de falar eu não estou "mais ou menos" eu "tô meia pedra meio tijolo, como diria meu pai", a situação não ficou difícil, "a bosta empendoou, como diz meu avô (que Deus o tenha)" e  também não é que o fulano seja ruim é que "ele não vale o que o gato enterra, como diz minha mãe". Rolando Boldrin - Imagem extraída de Portal C3 "Tudo vale a pena se a alma não é pequena" diz o poeta, e eu vejo o mundo dessa forma cada uma dessas coisinhas...

Noites Barrocas (Cachimbadas em Ouro Preto)

Imagem
Preâmbulo: Os textos a seguir não constituem uma obra contínua. Cada dia encerra-se em si mesmo. Seu objetivo é apenas registrar os pensamentos que circundavam minha mente ao final de cada um dos dias que passei em Ouro Preto. Por isso, não se trata propriamente de um relato de viagem, tampouco de um diário. Também não são crônicas ou ensaios, embora tomem emprestado algo de cada um desses gêneros. Os textos seguem uma linha de pensamento, mas não constroem um fio argumentativo; são apenas a primeira destilação das ideias que fermentaram ao longo do dia e encontraram seu registro nestas páginas. A intenção original era chamar esta sequência de textos de "Cachimbadas em Ouro Preto" . Planejava encerrar cada dia fumando um fornilho de cachimbo enquanto contemplava os acontecimentos e impressões acumulados. No entanto, acabei fumando apenas uma única noite. O que permaneceu não foi o cachimbo, mas a contemplação. Por essa razão, o título mudou para "Noites Barrocas" . ...