Orgulho Parnasiano

Procuro aprender cotidianamente palavras complexas, eu, neófito na arte do "bem escrever" sei - já vi vários juízes fazendo - que pouco vale o conteúdo ou o embasamento, muito mais importante é usar as palavras mais difíceis que eu encontrar no dicionário, evitando assim, que qualquer indivíduo menos abastado - intelectualmente, é claro - possa me compreender. Dessa forma ha de parecer que sou demasiado culto e sagaz, quando de fato isso pode ou não ser verídico, os parnasianos faziam a mesma coisa, se por primor eram esses capazes de produzir versos metrificados com requinte poético ordens de grandeza maior do que um capiau de pouco mais de duas décadas de vida, isso é mero detalhe. Não julguem as incipientes orações desse novel redator, tal como monge recém acolhido sou noviço e estou longe de meus votos perpétuos. Escrevo por amor a arte, caridade para com quem não me lêem, só falo coisas dispensáveis e supérfluas, quinze minutos de lectio divina seriam de melhor proveito que uma hora de qualquer peça por mim redigida. Tenho, também, que aprender a dizer inverdades - para não dizer mentiras - pois a realidade é tediante e nenhum vivente interessar-se-a pelas coisas ordinárias. Se tudo isso falhar vou passar a frasear aforismos que beiram o óbvio, afinal o óbvio precisa ser expresso. Se ainda assim meus textos permanecem velados só me restará grossos neologismos que nada significam mas que querem dizer a totalidade das coisas.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Pausa

Crônica para minha morte

Palavras