Consciência

 Hoje acordei entediado, o mundo em sua rotina retrógrada insistiu em fazer o sol nascer novamente, hoje é segunda feira e não decretamos feriado, minha menina - pois não posso chamar de minha namorada - está viajando com a mãe o que tornou meu fim de semana, já normalmente entediante, em um aborrecimento completo, se o que me sobra é a bebida, ontem não bebi, tempo perdido.

A cerveja já não me satisfaz, a vodka tem gosto de água e a pinga desce queimando, acho que vou tomar Campari, pois o vinho é para - abrir as pernas (d) - as moças e outro destilado é caro demais para se beber.

O cigarro me aquece o frio do peito, mas está quente e o tabaco não me apetece - não vou ficar sentindo gostinho de fumaça. Nem cubanos nem baianos, nem em tiras nem flake cut, uma carteira de Malboro - First cut, que é mais barato.

Vou ouvir a música mais agitada que encontrar no YouTube, vou colocar no último volume, in médio virtus é o caralho, quero viver no limite. Aliás de que me valem tais virtudes se não me trazem dinheiro nem prazer.

Só se vive uma vez, não acredito em reencarnação, menos ainda em ressurreição, meus refrigério não estão na alma mas na própria carne, não me reprimo por causa de moral - malditos moralistas.

Quanto a Deus? Que seja louvado o do novo testamento, por que o do antigo certamente já me teria fulminado, ou amaldiçoado a geração dos meus filhos. Não por ser entregue a carne, é claro, mas por ser descrente.

"Deves detestar o barulho de sua própria mente para gostar tanto desses estímulos caóticos" - me indaga o preocupado leitor - agora você entendeu porque bebo tanto.

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