O crime da nossa fé materialista

No ano passado tive a oportunidade de ler Crime e Castigo, escrito pelo brilhante Dostoiévski.

É inevitável se colocar no lugar do personagem principal, que, abraçado pela ideologia materialista de seu tempo (e porquê não dizer: também do nosso tempo) acha plausível definir quanto vale a vida de uma senhora usurária odiada por todos e que não tem perspectiva de se tornar uma pessoa melhor.

É aí que o autor nos questiona: quem somos nós para definir o valor da vida de outra pessoa?

Por mais que as pessoas à nossa volta sejam malditos pecadores, não somos nós iguais ou tão terríveis quanto eles?

Até que ponto um pensamento ideológico pode nos cegar de tal forma que separamos a sociedade em grupos de pessoas intelectuais detentoras da verdade e grupos que não valem o prato que comem?

Pura soberba! Puro orgulho! Pura vaidade!

Ó desumildes, que não reconhecem as próprias misérias! O Cristo morreu na cruz e ressuscitou não apenas por alguns, mas por todos!

Do que adianta a sabedoria deste mundo, que para Deus se assemelha à loucura, se ela nos afasta do céu? Todos, pecadores ou não, merecem e necessitam conhecer a Verdade, ainda que num primeiro momento não faça sentido para eles.

No livro, a velha usurária foi morta à machadadas por Ródia; e é impossível não fazer um paralelo entre essa situação do livro e a nossa vida atual.

Matamos a golpes de machado a nossa fé, a nossa esperança e a nossa caridade; fechamo-nos em nós mesmos e colocamo-nos como bastiões de uma falsa moral que deve seguir todo um roteiro, mas que é vazia de virtudes e da presença de Cristo.

Misturamos nossa vivência cristã com ideologias materialistas e criamos um monstro horrendo que instrumentaliza a fé em favor do que é passageiro e mundano ao invés de olhar para aquilo que é santo e eterno.

Quanto vale a vida de um depravado pecador? Ela vale um Deus crucificado e também o nosso esforço em não a matar (espiritualmente), mas ter misericórdia para ajudá-la a retornar à Deus!

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