Domingo, o dia de viajar no tempo

 Sempre gostei do conceito de viagem temporal, sou simplesmente apaixonado pela ideia de poder visitar outros tempos, conviver com pessoas de outros tempos e visitar locais em outros tempos.

O tempo supera todas as coisas não há nada que resista ao tempo, ele corrói, envelhece, amadurece, matura, tudo depende de o que compõe o objeto. Quantas vezes já me peguei olhando as paredes de um velho casarão e imaginando como ele era antes, como eram as pessoas que ali moravam. Muito mais me admira e faz minha imaginação trabalhar quando eu estou dentro e me pego perguntando qual o objetivo original de cada um daqueles cômodos, o que estava ali originalmente e oq há de novo quando entrou ali.

Não me importo com o futuro, estou completamente entregue a divina providência, mas o passado me é muito caro, são as bases de quem somos, é o legado que conhecendo ou não, o carregamos nas costas, são nossos mitos fundadores, traços de nossa cultura e compõe a semiótica de nossas crenças. 

Acontece que jamais poderemos voltar ao passado, nossa compreensão das coisas depende de nossos esforços e nossos estudos para compreende-las. Tais conhecimentos estão tanto nos livros de história, quanto nas estórias dos velhos nas praças também ainda no folclore e por fim nas construções históricas que <ainda> resistem ao tempo.

Porém existe uma única ocasião que o vivente pode contemplar verdadeiramente uma cena do passado, um congelamento do espaço e do tempo, uma cena que se repete hora a hora do nascer ao por do sol todos os dias da terra, que se renova sem precisar se renovar, que se atualiza sem precisar se atualizar, tão antiga que é faz nova todas as coisas, um eterno presente de uma cena de dois mil anos atrás.

Para acessar esse vórtice espaço temporal só é necessário ir para a missa mais próxima, a cada celebração eucarística Nosso Senhor é preso, crucificado e morto, é ressurge ao terceiro dia, tudo isso em uma hora de celebração. Sim, mesmo mas breves missas semanais que duram menos de 40 minutos nosso senhor passa por toda via crucis e ressuscita. De 30 em 30 minutos nós somos novamente salvos do pecado na missa de algum lugar da terra.

Não pense que Cristo morre (e "desmorre") 24 vezes por dia, o que acontece é que cada missa, todas as missas, elas acontecem ao mesmo tempo, são o mesmo sacrifício, as mesmas dores, tudo isso a dois mil anos atrás mas milagrosamente a tragos para a data presente, ou fazendo com que nos fiéis sejamos teleportados no tempo e no espaço para o calvário vendo Jesus Nazareno Rei dos Judeus ser crucificado, morto é sepultado e depois ressurgindo glorioso. 

Os sagrados misterios, a transubstanciação, é o milagre mais importante da fé cristã, mas junto dele traz outro milagre também silêncio e imperceptível: um dobramento do espaço tempo que faz com que cada celebração eucarística seja na verdade o próprio sacrifício que aconteceu no século primeiro.

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