Da (Van)Grloria
Eu tinha um amigo - e ainda teria se as coisas não fossem como são - um sujeito um tanto quanto inteligente, mas não brilhante, porém minimamente esforçado. O dito cujo esforçava-se para estar acima da media, nas mais diversas esferas, principalmente naquelas cujos acidentes fossem mais facilmente perceptíveis, em adição a isso esforçava-se ainda mais para que tais qualidades, não o esforço para alcança-las, fosse então percebidas.
Nesse esforço de outdoor-ar-se ele ganhou um apelido carinhoso, uma referencia a um nome de um "gênio" dos dias atuais, obteve certo reconhecimento e as vezes até o colocavam em um pedestal. Ele alçava cargos de liderança e até hoje ele ganha reconhecimentos pela propaganda que faz de sí.
Fato é que eu conheci pessoas muito mais inteligentes, brilhantes e/ou esforçadas que ele, mas nenhuma dessas alcançou tanta pompa quanto nosso amigo apelidado com nome de dono de big-tech. Na verdade alguns não receberam nenhum reconhecimento por sua grandeza e hoje jazem no esquecimento. Mas uma coisa me intrigou: hoje encontrei com um conhecido em comum, e não raramente encontro com um desses. Enquanto falamos de um desses brilhantes esquecidos, o tom sempre é de estremo reconhecimento, e "salama lecos". Já quando se toca no nome (ou apelido) desse confrade abre-se uma torrente de reclamações, não se trata de inveja; muitos nem sabe quão alto são seus voos de ícaro. Soa mais como o resultado de péssimas escolhas enquanto caminha nesse vale de lagrimas. As pessoas me dizem "fulano é seu amigo, né? Ele é inteligente, mas é um cuzão" e eu aqui sabendo que ele nem é tão inteligente.
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