Fim da crise vocacional? Uma abordagem pragmática
Muitos católicos, em especial os mais jovens reclamam (ou proclamam) estar em crise vocacional, embora eu de fato nunca tenha entrado em uma crise profunda acerca de minha vocação varias vezes me peguei refletindo sobre o assunto. As minhas ideias fermentam-se por muito tempo, mesmo após uma tomada de decisão, dessa forma pude observar algumas das minhas inseguranças e traçar pontos que podem me levar a cada vocação. Para melhor compreender essas inquietações e por fim destilar esse mosto elaborei algumas perguntas, para que eu mesmo as externasse como quem tira um fermentado de cana dos barris para destilar cachaça.
No processo de responder honestamente tais perguntas outras surgiram como preambulo ou complemento das perguntas anteriores. Não por possuir algum conhecimento especial ou por revelação divina, mas pela mera confiança na maiêutica (ou método socrático), acredito que essas perguntas possam também mostrar a outros o que lhes falta para definição vocacional, ou pelo menos para estreitar o campo do discernimento. Seguem abaixo as perguntas. É importante que as responda em meditação orante e com radical honestidade. Antes de discernir para onde Deus chama, é preciso conhecer quem se é. Não trata-se de um teste vocacional, mas de um direcionamento interno, é necessário que cada um tome suas próprias conclusões ao respondê-las. É importante ressaltar que este roteiro não tem por objetivo diminuir a necessidade da vida interior ou da direção espiritual, mas justamente conduzir a elas. Também não podemos reduzir a vida sacramental e/ou religiosa a um pragmatismo humano, mas sim remover a névoa da aflição que frequentemente acompanha o discernimento vocacional.
1 - Entendes que es filho de Deus? E que es amado por nosso senhor Jesus Cristo?
2 - Tenho medo de escolher a vocação errada?
3 - Conheço bem cada um dos estados de vida (sacerdotal, religioso e leigo)? O que imagino de cada um? Como me imagino em cada um?
4 - Sou capaz de seguir essa ou aquela vocação? Quais são minhas pedras de tropeço em cada uma delas?
4.1 - Deus não capacita os escolhidos?
4.2 - Quais virtudes possuo e quais ainda preciso cultivar?
4.3 - Entendo que capacidade vai alem dos conhecimentos e habilidades humanas?
5- O que eu quero? Tenho algum sonho? Essa vontade se adere mais a qual(is) estado(s) de vida?
6 - Quais são meus medos?
7 - Por que escolho uma ou outra vocação? Não estou simplesmente fugindo?
8 - O os outros esperam de mim? O quanto devo ou não me importar com tais expectativas?
9 - O que perco se seguir cada uma dessas vocações? E o que ganho?
10 - Meu foco realmente está na santidade?
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