Rumo à loucura
Em seu livro Ortodoxia, Chesterton faz várias analogias para exemplificar seus argumentos. Em um deles, o autor conta acerca de um comandante que sai de sua terra natal em um navio, desbravando as águas do imenso oceano em busca do desconhecido.
Quando ele chega novamente em terra firme, o comandante acredita ter chegado em um lugar novo e sai maravilhado para explorá-lo, apenas para se encantar com tudo que vê e logo depois se dar conta de que aquela não era uma nova pátria, mas sim sua própria terra natal; a qual ele nunca tinha de fato prestado atenção em suas maravilhas.
Mas aonde pretendo chegar com isso?
Bom, hoje em dia as pessoas se parecem muito com esse comandante, dispostos a se aventurar no desconhecido, sem ao menos contemplar as belezas e maravilhas daquilo que já está tão próximo delas.
Há muitos comandantes - soberbos e arrogantes - que decidem partir em aventura semelhante porquê julgam que sua pátria é monótona e ultrapassada, cheia de pessoas inferiores que não compreendem o valor dos desejos de marujos como eles.
Mas nessa brincadeira do desconhecido, de tornar-se deus de si mesmo - e não estar disposto a encarar as consequências de uma aventura mar adentro - muitos sucumbem à loucura.
Nesse ritmo de viver amparado pela loucura, já não se importam mais com sua terra natal, com a tripulação de seu navio, quiçá com sua própria vida. O que importa é satisfazer o seu desejo de viver cada momento perigosamente, como senhor de sua própria vida.
Já não há mais sanidade, já não se reconhece mais a Verdade. A loucura e o desejos consomem o comandante de tal forma que ele prefere passar pela adrenalina de mil tempestades em alto mar do que contemplar a paz do navio ancorado no porto.
No fim, todo comandante precisa adentrar o mar para adquirir experiência, mas não pode se esquecer que a terra firme é seu destino final e que não se pode deixar ser encantado pelas seduções do mar.
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